VP é a abreviação de Vice President, cargo que na estrutura americana clássica fica logo abaixo do C-level (CEO, CFO, COO) e acima da diretoria operacional. Normalmente responde por uma unidade de negócio inteira, uma região geográfica ou uma função corporativa de peso, como vendas ou produto. É cargo com orçamento próprio, meta de P&L (lucro e perda) e autoridade real para contratar, demitir e redesenhar processo sem precisar de aprovação de três níveis acima. Em multinacional americana, ou em empresa brasileira com matriz nos Estados Unidos, o título tem lastro: existe estrutura por trás, existe verba, existe gente reportando de verdade.
O problema aparece quando o VP surge numa empresa brasileira de porte médio que nunca teve esse organograma. Aí vira etiqueta de vaidade: o dono resolve chamar o braço direito de "VP de Marketing" porque soa mais internacional que "gerente" e sai mais barato que dar participação societária de verdade. Ninguém questiona no cartão de visita, mas na prática esse VP não tem orçamento próprio, não decide contratação sozinho e responde a um "diretor" que, no fundo, é o dono disfarçado de cargo técnico. O título virou cosmético, um jeito elegante de reter talento sem pagar o que o mercado global cobraria por esse nível de responsabilidade.
Isso não é exclusividade brasileira: startup americana também inflaciona título de VP como moeda de compensação quando falta caixa para salário competitivo. No Brasil, porém, o hábito ganhou contorno próprio, porque o cargo nunca fez parte da cultura corporativa local até pouco tempo atrás, e virou importação estética antes de virar importação estrutural. Antes de aceitar, ou oferecer, um VP, vale perguntar o óbvio: esse cargo tem P&L, tem time reportando de verdade e tem autonomia de decisão, ou é só um gerente com nome em inglês no crachá?



