Diretor Executivo, em teoria, é quem responde pela operação inteira de uma empresa ou de uma unidade de negócio relevante dentro dela: define estratégia, aprova orçamento, responde ao conselho ou aos sócios pelo resultado do ano. É o cargo mais próximo do que o mercado americano chama de CEO quando se trata de uma empresa única, ou de general manager quando se trata de uma divisão dentro de um grupo maior. Tem autoridade real: decide contratação de outros diretores, decide onde investir e onde cortar, e carrega a cobrança pelo número no fim do trimestre.
No Brasil, esse título é provavelmente o mais banalizado de toda a hierarquia corporativa. Empresa de médio porte, sobretudo em agência, escritório de serviço e comércio familiar, adora chamar de "diretor" o funcionário sênior que quer reter mas não quer promover de fato com aumento de salário ou participação nos resultados. Vira o título que custa zero e resolve o ego de curto prazo: a pessoa sai satisfeita da reunião com o cargo novo no crachá, mas continua reportando pra alguém, sem autonomia sobre orçamento e sem assento em decisão estratégica de verdade. É diretor de nome, gerente de função.
A diferença prática entre um Diretor Executivo de verdade e um "diretor" de retenção está numa pergunta só: essa pessoa pode gastar o orçamento da área sem pedir aprovação de mais ninguém, e pode ser cobrada pelo resultado do ano inteiro, não só de uma campanha ou de um projeto? Se a resposta for não, o cargo é etiqueta, e etiqueta bonita no crachá não paga conta nem resolve a insatisfação que motivou a promoção fantasma em primeiro lugar.



