Tráfego Pago e Mídia

ROAS (Return On Ad Spend): a métrica mais citada e mais mal interpretada da mídia paga

20 de maio de 20262 min de leitura
ROAS (Return On Ad Spend): a métrica mais citada e mais mal interpretada da mídia paga

ROAS significa Return On Ad Spend, ou retorno sobre o investimento em mídia, e é provavelmente a sigla mais falada em toda reunião de tráfego pago, disputando o pódio talvez só com o próprio CPC. Calcula-se dividindo a receita gerada pela campanha pelo valor investido nela. Um ROAS de 5 significa que cada real gasto em anúncio trouxe cinco reais de volta em vendas. Parece simples, parece definitivo, parece a métrica final que resolve toda discussão sobre se a campanha está funcionando.

Só que não é. E aqui mora o mal-entendido mais caro do marketing digital: ROAS mede receita bruta, não lucro. Se você vende um produto por cem reais que custou oitenta reais para ser fabricado, entregue e operacionalizado, sua margem real é vinte reais, não cem. Um ROAS de 4 nessa conta pode significar que você gastou vinte e cinco reais em anúncio para faturar cem, só que desses cem, oitenta já foram embora antes mesmo de você abrir a planilha de resultado da campanha. Depois de pagar o custo do produto, você pode estar empatando ou até no vermelho, com um ROAS que no relatório parece impecável.

Essa confusão explica por que tanta empresa comemora campanha "vencedora" no meio do ano e descobre no balanço trimestral que a margem sumiu. O ROAS virou o número que todo mundo entende rápido demais e questiona de menos, o tipo de métrica que soa bem em slide de apresentação para investidor e esconde detalhes incômodos sob o tapete da receita bruta.

Isso não significa descartar o ROAS, ele continua sendo útil para comparar campanhas entre si e medir eficiência relativa de canal. O erro é tratá-lo como veredito final sobre a saúde financeira do negócio. Antes de definir uma meta de ROAS, é obrigatório saber a margem de contribuição do produto ou serviço vendido: só assim dá para calcular qual ROAS mínimo realmente sustenta a operação, em vez de simplesmente perseguir um número redondo porque soa bem na reunião de diretoria.

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