Nove transferências numa noite, R$ 1.087.253,09 fora da conta e ninguém viu nada até o gerente ligar no dia seguinte. Foi o que aconteceu com a conta da Câmara Municipal de Campos do Jordão (SP) entre 22 e 23 de outubro de 2026, segundo o Metrópoles e o Vale 360 News. Os criminosos rotularam as operações como "folha de pagamento", o que atrasou a desconfiança.
O caso é de um órgão público, mas o roteiro serve para qualquer empresa com conta PJ: pagamento em lote, à noite, com descrição que parece rotina. A boa notícia é que boa parte da proteção está em configurações que o seu banco já oferece.
O que se sabe
Segundo o Vale 360 News, a conta é do Banco do Brasil. O boletim de ocorrência registra acesso "por meio eletrônico" por volta das 20h de quinta, 22/10, e as nove transferências aconteceram naquela noite. Na sexta, 23/10, por volta das 11h40, um gerente do banco ligou para a Câmara e avisou do problema. O banco pediu um documento formal reconhecendo a fraude, que a Câmara preparou e enviou.
O boletim foi registrado às 17h52 de 23/10, na delegacia de Campos do Jordão, como estelionato contra a administração pública, de autoria desconhecida. A Polícia Civil abriu inquérito, e a Câmara entregou o extrato com as operações.
Representantes da Câmara disseram à polícia que os valores eram "atípicos e vultosos", feitos à noite, e questionaram por que a conta não foi bloqueada depois da primeira transferência fora do padrão. Segundo o Metrópoles, Prefeitura e Câmara não responderam aos pedidos de entrevista.
O que o caso ensina para a sua empresa
Três detalhes chamam atenção. O horário, à noite, quando ninguém confere extrato. A quantidade, nove operações seguidas, que somadas passam de um milhão. E o disfarce de folha de pagamento, um tipo de lançamento que costuma ter valor alto e destinatários variados, e que por isso levanta menos suspeita.
Não se sabe como os criminosos entraram na conta. Pode ter sido senha roubada, token, golpe de phishing, programa espião ou alguém de dentro; nada disso foi informado. Por isso, a proteção precisa cobrir mais de uma porta ao mesmo tempo.
O que fazer agora
- Defina limites por operação e por dia na conta PJ, abaixo do que a empresa movimenta de verdade. Aumentar quando precisar é mais barato que recuperar.
- Restrinja o horário das transferências e dos pagamentos em lote, quando o banco permitir.
- Exija dupla aprovação para pagamentos acima de um valor e para folha: uma pessoa lança, outra aprova.
- Ligue os alertas por aplicativo e SMS para toda transferência, e peça que mais de uma pessoa receba.
- Separe o computador do financeiro: sem navegação pessoal, sem programas desnecessários e com sistema atualizado.
- Combine com o gerente o que fazer se aparecer movimento estranho, com telefone de contato direto, inclusive fora do horário comercial.
- Se acontecer, aja rápido: avise o banco, peça o bloqueio e a contestação, registre o boletim de ocorrência e guarde o extrato.
O que ainda não se sabe
Não foi informado como a conta foi acessada, se algum valor foi bloqueado ou recuperado, nem se pagamentos de servidores e fornecedores foram afetados. O Banco do Brasil não se manifestou nas reportagens sobre os mecanismos de segurança da conta.
Onde a Oneck entra
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Fontes: Metrópoles: golpe desvia mais de R$ 1 milhão da Câmara Municipal de Campos do Jordão (24/10/2026); Vale 360 News: Câmara de Campos do Jordão registra fraude de mais de R$ 1 milhão em conta bancária (24/10/2026, atualizada em 25/10).



