GRP é sigla para Gross Rating Point, e é uma daquelas métricas que existia muito antes de "algoritmo" e "pixel de conversão" entrarem no vocabulário de qualquer profissional de marketing. Nasceu na mídia tradicional, TV, rádio, painel de out-of-home, e continua firme e forte em planejamento de mídia offline até hoje, décadas depois de ter sido inventada, o que já diz muito sobre a durabilidade de uma boa ideia bem simples.
O GRP combina duas coisas numa única conta: alcance (quantas pessoas do público-alvo foram impactadas) e frequência (quantas vezes, em média, cada uma dessas pessoas viu a peça). Multiplica-se o alcance percentual pela frequência média, e o resultado é um número que representa o volume total de exposição de uma campanha, sem distinguir se foi a mesma pessoa vendo dez vezes ou dez pessoas diferentes vendo uma vez cada. Um GRP de 200 pode nascer de vinte por cento de alcance com frequência dez, ou de cinquenta por cento de alcance com frequência quatro: a conta bate igual, o efeito na cabeça do consumidor é completamente diferente.
Essa é a limitação estrutural do GRP, e também o motivo de ele ter sido superado por métricas mais granulares no digital, onde dá para separar alcance único de frequência com muito mais precisão. Mas descartar o GRP como "coisa do passado" é ignorar que boa parte do orçamento de mídia de marcas grandes ainda vai para TV aberta, rádio e painel de rua, meios onde simplesmente não existe o nível de rastreamento individual que o digital oferece. Nesses ambientes, GRP continua sendo a linguagem comum entre agência, veículo e anunciante para negociar espaço e medir entrega.
A dica prática para quem lida com planejamento de mídia integrado é nunca tratar GRP como equivalente direto de impressão digital. São primos distantes, não gêmeos. Comparar diretamente pode levar a decisões de mídia baseadas em uma equivalência que só existe na planilha, nunca na cabeça de quem realmente assistiu ao comercial enquanto trocava de canal.



