Todo app novo nasce com o mesmo sonho: virar hábito, tipo escovar dente ou checar o celular ao acordar. O problema é que sonho não aparece em relatório de investidor, número aparece. E o número que separa quem virou rotina de quem virou ícone esquecido na terceira tela do celular chama-se DAU/MAU.
DAU (Daily Active Users) conta quantos usuários únicos usaram o produto num dia específico. MAU (Monthly Active Users) conta quantos usuários únicos usaram o produto ao longo de um mês. Sozinhos, os dois números dizem pouco: um app pode ter MAU alto só porque tem base grande, mesmo que ninguém abra ele duas vezes na mesma semana. A mágica aparece quando se divide um pelo outro. DAU/MAU acima de 20% costuma indicar produto que virou parte da rotina, tipo rede social ou app de mensagem. Abaixo de 10% geralmente aponta produto de uso esporádico, como app de viagem ou declaração de imposto, o que não é necessariamente ruim, só é outro tipo de produto.
Essa razão é comum em produtos digitais e apps porque mede frequência, não só alcance. Empresa que só olha número absoluto de usuário se ilude fácil: base cresce, gráfico sobe, e ninguém percebe que o engajamento por trás está murchando mês após mês.
O erro clássico é comparar DAU/MAU de produtos com naturezas diferentes como se fosse o mesmo jogo. Cobrar de um app de RH interno a mesma frequência diária de um app de rede social é querer que planilha de férias vire vício. O certo é definir o que significa "engajado" pro seu produto específico antes de sair perseguindo benchmark de concorrente que nem faz a mesma coisa que você. DAU/MAU é bússola, não ranking universal, e usar ele errado engana mais do que informa.



