Chairman, ou Presidente do Conselho, é o membro do Conselho de Administração responsável por presidir as reuniões, organizar a pauta, mediar divergências entre conselheiros e garantir que o órgão cumpra sua função de fiscalizar a diretoria executiva. É um cargo de coordenação dentro do colegiado, não um posto de comando sobre a empresa no sentido em que um CEO comanda a operação. Na teoria de manual de governança, chairman e CEO deveriam ser pessoas diferentes, justamente para que exista alguém capaz de questionar as decisões do executivo-chefe sem o conflito de interesse óbvio de estar avaliando o próprio trabalho.
No Brasil, essa separação é mais exceção do que regra fora das companhias abertas com governança madura. É extremamente comum o fundador acumular os dois papéis, virando ao mesmo tempo CEO da operação e chairman do conselho que deveria fiscalizá-lo, o que na prática anula boa parte do propósito de ter um board. Quando o mesmo nome define a pauta da reunião, preside a votação e ainda é o assunto principal da avaliação de desempenho, a fiscalização vira formalidade, não fato.
Isso não significa que acumular os dois cargos seja sempre um erro grave: em empresa em estágio inicial, sem conselheiros externos relevantes ainda, pode ser simplesmente o estágio natural antes de a governança amadurecer. O problema aparece quando a empresa cresce, capta investimento, ganha sócios minoritários com interesse legítimo em fiscalização, e o fundador continua acumulando chairman e CEO por conforto, não por necessidade. Investidor experiente costuma condicionar aporte relevante justamente à separação desses papéis, ou pelo menos à entrada de conselheiros independentes que consigam contrabalançar o peso do fundador na sala.
Vale lembrar também que chairman não é sinônimo automático de "conselheiro mais poderoso". O cargo tem peso de coordenação e, em caso de empate, costuma ter voto de qualidade, mas decisão relevante de conselho passa por votação colegiada, não por decreto do presidente da mesa. Empresa que trata o chairman como um CEO paralelo, com poder de vetar decisão sozinho fora de reunião formal, já perdeu a noção de onde termina a presidência do colegiado e começa a gestão do dia a dia.



