C-Level e Diretoria Executiva

CFO (Chief Financial Officer): mais que o guardião do caixa, o estrategista que ninguém quer ouvir

30 de maio de 20262 min de leitura
CFO (Chief Financial Officer): mais que o guardião do caixa, o estrategista que ninguém quer ouvir

CFO é a sigla de Chief Financial Officer, o diretor financeiro responsável por fluxo de caixa, orçamento, captação de recursos, gestão de risco e, em empresas maiores, relação com investidores. A parte que mais gente ignora é que o trabalho do CFO não é fechar planilha no fim do mês, é decidir, com dados, onde a empresa pode apostar e onde ela vai quebrar se apostar errado. Um CFO bom participa da definição de estratégia junto com o CEO, não recebe a decisão pronta pra só avisar se cabe no orçamento.

É exatamente aí que mora a confusão mais comum: CFO não é contador chefe. Contabilidade registra o que já aconteceu, fecha balanço, cumpre obrigação fiscal. CFO olha pra frente, projeta cenário, decide se vale a pena captar dívida ou equity, avalia se o crescimento que a diretoria comercial promete é sustentável com o caixa disponível. Muita empresa brasileira, principalmente fora do eixo de startups mais maduras, ainda chama o contador terceirizado ou o gerente financeiro de "CFO" só porque soa mais importante no cartão de visita, sem que a pessoa tenha qualquer participação na definição de estratégia.

O atrito mais recorrente do CFO com o resto da diretoria é com marketing e vendas, porque ele é o executivo cujo trabalho estrutural é dizer "não" ou "ainda não" pra gasto que outras áreas defendem como urgente. Isso cria a fama, quase sempre injusta, de que o CFO é o freio de mão da empresa, o chato que trava toda ideia boa em nome de planilha. Quando a relação com o CEO é saudável, o CFO participa da conversa desde o início e ajuda a desenhar o investimento dentro do que a empresa aguenta pagar; quando não é, ele vira o vilão convocado só pra assinar embaixo depois que a decisão já foi tomada, e aí sim o atrito vira briga de verdade.

Empresa que trata o CFO como departamento de aprovação de nota fiscal, em vez de sócio estratégico na mesa de decisão, geralmente descobre o preço disso tarde demais, quando o caixa já apertou.

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