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CPO (Chief Product Officer): decide o quê construir antes de alguém decidir o como

4 de junho de 20262 min de leitura
CPO (Chief Product Officer): decide o quê construir antes de alguém decidir o como

CPO é a sigla de Chief Product Officer, o diretor responsável pela visão de produto: o que a empresa constrói, pra qual problema, em que ordem de prioridade e com base em qual entendimento real do usuário. É o cargo que fica entre o desejo do mercado e a capacidade técnica de construir, decidindo o que vale o esforço de engenharia antes de qualquer linha de código ser escrita. Um bom CPO passa tanto tempo dizendo não pra ideia ruim quanto dizendo sim pra ideia certa, o que naturalmente cria atrito com quem queria ver a própria sugestão no topo do roadmap.

A distinção mais clara com o CTO é a divisão entre o quê e o como: o CPO decide o que construir e por quê, baseado em problema de usuário e oportunidade de negócio; o CTO decide como construir isso de forma sustentável, com que arquitetura e que trade-off técnico. Quando a empresa não tem CPO, essa decisão de prioridade tende a cair no colo do CTO por padrão, e aí o roadmap passa a refletir o que é tecnicamente mais interessante de construir, não necessariamente o que resolve o problema mais urgente do cliente. Engenheiro talentoso nem sempre é a pessoa certa pra decidir prioridade de negócio, mesmo sendo, sem dúvida, a pessoa certa pra decidir como construir bem.

O atrito mais comum em empresa brasileira, principalmente em negócio que nasceu comercial antes de virar produto de tecnologia, é o time de vendas ditando roadmap direto pro time técnico, sem passar por nenhuma camada de produto. Cliente grande pede feature específica, vendedor promete pra fechar contrato, e a engenharia recebe a demanda como prioridade máxima sem ninguém avaliar se aquilo serve pra base inteira de clientes ou só resolve o capricho de um contrato. Sem CPO segurando essa porta, o produto vira um Frankenstein de promessas pontuais, cada uma fazendo sentido isolada e nenhuma fazendo sentido junto.

Cargo de CPO custa caro justamente porque exige alguém que entenda tanto de negócio quanto de tecnologia o suficiente pra mediar essa conversa sem depender inteiramente de um dos dois lados. Empresa que pula essa cadeira geralmente descobre o preço dela quando o roadmap já virou uma colcha de retalhos impossível de desfazer.

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