Fusões, Aquisições e Transações Societárias

Holding: a empresa que não vende nada, só é dona de quem vende

14 de julho de 20262 min de leitura
Holding: a empresa que não vende nada, só é dona de quem vende

Holding é uma empresa cujo negócio, formalmente, é ser dona de participação em outras empresas ou de um conjunto de bens, sem necessariamente operar produto ou serviço próprio. Existe a holding pura, que só detém participações e não fatura nada além de dividendos recebidos das controladas, e a holding mista, que além de deter participação também opera algum negócio direto. O motivo mais divulgado para criar uma é tributário: em certas estruturas, sobretudo holding patrimonial para administrar imóveis alugados, o regime de tributação pode sair mais leve do que receber aluguel na pessoa física. Mas reduzir holding a "jeitinho de pagar menos imposto" é perder metade do assunto.

A outra metade, e a que mais importa em empresa familiar brasileira, é planejamento sucessório. Sem holding, o falecimento de um fundador joga o patrimônio dele num inventário judicial que pode levar anos, imobiliza bens, gera custo de advogado e ainda expõe a briga da família em processo público. Com a participação organizada dentro de uma holding, o fundador pode doar cotas aos herdeiros em vida, manter o usufruto e o controle das decisões enquanto viver, e transferir a titularidade de forma planejada, com imposto de doação calculado hoje em vez de imposto de herança calculado depois, num cenário de patrimônio provavelmente maior.

O problema é que "criar a holding" virou item de checklist de planejamento patrimonial sem que ninguém sente pra discutir governança de verdade. Pai e mãe criam a estrutura, distribuem cotas iguais entre os filhos porque parece justo, e nunca definem quem administra, quem vota o quê, o que acontece se um herdeiro quiser vender a parte dele e outro não quiser. O resultado, alguns anos depois, é a mesma briga de herança que a holding deveria ter evitado, só que agora travestida de disputa societária, com advogado dos dois lados e a empresa operacional refém da indecisão de cotistas que nunca deveriam estar decidindo operação no dia a dia.

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