Registro de Marcas

Golpes no registro de marca: as fraudes que usam seu pedido no INPI contra você

Oneck Creative27 de março de 20269 min de leitura
Golpes no registro de marca: as fraudes que usam seu pedido no INPI contra você

Você acabou de depositar sua marca no INPI. Orgulhoso, conta para a equipe: "Estamos protegidos". Três semanas depois, chega um boleto de R$ 1.200 com o logo do INPI, referente a "taxa de publicação em anuário de marcas". Parece oficial. Você paga.

Acabou de cair num golpe. Esse boleto não veio do INPI. Veio de criminosos que monitoram a Revista da Propriedade Industrial toda semana, identificam novos depositantes e enviam cobranças falsas — sabendo que você está no meio de um processo que não entende completamente.

E isso acontece com milhares de empresários brasileiros todos os anos.

0Boletos que o INPI envia. Zero. Nunca. A única forma de pagar é pela GRU gerada por você (INPI)
60 diasPrazo em que seus dados ficam expostos na RPI após depósito — período favorito dos golpistas
504 milPedidos de marca em 2025. Cada um é um alvo potencial para fraudadores (INPI)

Como os golpistas sabem que você depositou uma marca

O mecanismo é simples — e legal. Quando você deposita uma marca no INPI, o pedido é publicado na Revista da Propriedade Industrial (RPI), um documento público semanal. A publicação inclui: nome do depositante, CNPJ/CPF, marca solicitada, classe e número do processo.

Essas informações são públicas por design — é assim que o sistema funciona, permitindo que terceiros apresentem oposição. Mas criminosos usam essa transparência como ferramenta: monitoram a RPI, identificam novos depositantes e iniciam o ataque antes que o empresário entenda o processo.

A publicação na RPI é necessária e prevista em lei. O problema não é a transparência — é o fato de que a maioria dos depositantes não sabe que seus dados serão públicos e não está preparada para o que vem depois.

As 4 táticas mais comuns de fraude

O INPI emite alertas frequentes sobre essas práticas. Todas exploram o desconhecimento do depositante sobre o processo de registro.

1. Boletos falsos

A tática mais comum. Chegam por correio ou e-mail, com aparência oficial — logo do INPI, referência ao número do processo, linguagem jurídica. Cobram "taxas" que não existem: publicação em anuário, manutenção anual, certificação complementar.

Como identificar: O INPI nunca envia boletos. A única forma de pagar qualquer taxa é pela GRU (Guia de Recolhimento da União), gerada exclusivamente pelo próprio usuário no portal gov.br/inpi.

2. Ligações intimidatórias

"Outra empresa está tentando registrar sua marca neste momento. Se você não pagar a taxa de prioridade agora, vai perder o direito." A pressão é intencional — criam urgência artificial para que você pague sem pensar.

A verdade: O sistema do INPI funciona por ordem cronológica de depósito. Se você depositou primeiro, tem prioridade. Não existe "taxa de prioridade" ou "aceleração de processo" por telefone.

3. Sites espelho

URLs como "inpimarcasepatentes.com.br", "registroinpi.com" ou "marcasinpi.org" simulam o portal oficial. Alguns cobram por serviços que o INPI oferece gratuitamente; outros capturam dados pessoais e financeiros.

O único domínio oficial: gov.br/inpi. Qualquer outro é suspeito.

4. Taxas de agilização inexistentes

"Por R$ 3.000, aceleramos seu processo para 30 dias." O INPI não tem serviço de agilização pago. O tempo de exame é o mesmo para todos — cerca de 18,5 meses em 2025.

Organizações como a ANPII (Associação Nacional de Propriedade Industrial e Intelectual) não possuem qualquer vínculo com o INPI. O uso do logotipo oficial por terceiros é proibido e visa exclusivamente iludir o cidadão (INPI). Golpistas também usam a LGPD como pretexto para solicitar dados pessoais — alegando "atualização cadastral obrigatória".

O perfil da vítima

Não é o empresário descuidado. É o empresário que:

  • Depositou a marca pela primeira vez e não conhece o processo
  • Não tem assessoria jurídica ou agente de propriedade industrial acompanhando
  • Recebe o boleto/ligação no momento de maior vulnerabilidade (logo após o depósito)
  • Confia em documentos que parecem oficiais
O timing é cirúrgico: os golpistas sabem que nas primeiras semanas após o depósito, o empresário está ansioso, não entende os próximos passos e vai reagir emocionalmente a qualquer ameaça de "perder a marca".

O paradoxo do registro de marca: o ato de proteger sua empresa (depositar a marca) é exatamente o que te expõe a fraudadores. Sem acompanhamento profissional, o depositante fica à mercê de criminosos que conhecem o sistema melhor do que ele.

Como se proteger: regras que não têm exceção

RegraPor quê
Nunca pague boletos que você não gerouO INPI só aceita GRU. Qualquer outra cobrança é fraude
Acesse apenas gov.br/inpiIgnore qualquer outro domínio, por mais oficial que pareça
Desconfie de ligações sobre sua marcaO INPI não liga para cobrar. Agentes legítimos não usam intimidação
Acompanhe a RPI semanalmenteSe você sabe o que está acontecendo, não cai em falsas urgências
Tenha assessoria profissionalUm agente de propriedade industrial filtra golpes antes que cheguem a você
Denuncie à Ouvidoria do INPIAjuda a mapear e combater organizações fraudulentas

O custo real de cair num golpe

Além do dinheiro pago no boleto falso (que varia de R$ 500 a R$ 5.000), o golpe pode ter consequências mais graves:

  • Dados pessoais comprometidos: CPF, CNPJ, endereço — usados para outros golpes
  • Falsa sensação de segurança: Quem paga o boleto falso acha que está protegido, quando na verdade não está
  • Atraso no processo real: Enquanto paga golpistas, pode perder prazos legítimos no INPI
  • Dano psicológico: A desconfiança gerada pode fazer o empresário desistir do registro legítimo
Ponto-chave

Golpes no registro de marca exploram um mecanismo legítimo: a publicação de dados na RPI. Criminosos monitoram novos depósitos e atacam com boletos falsos, ligações intimidatórias, sites espelho e taxas inexistentes. A regra de ouro é simples: o INPI nunca envia boletos — a única forma de pagamento é pela GRU gerada pelo próprio usuário em gov.br/inpi. Não existe taxa de prioridade, anuário obrigatório ou agilização de processo. O perfil da vítima é o empresário que depositou pela primeira vez sem acompanhamento profissional. E o paradoxo é claro: o ato de registrar a marca expõe seus dados, tornando essencial ter assessoria que filtre fraudes e acompanhe prazos reais. Proteger sua marca sem proteção contra golpistas é como trancar a casa e deixar a chave do lado de fora.

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